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Inteligência de Mercado · 19 out 2026

Além do metro quadrado: por que o mercado imobiliário precisa vender o tempo?

O valor de um endereço não para no limite do terreno. 78% querem resolver o dia a pé, e o brasileiro já gasta mais de 2 horas por dia em deslocamentos.

Mulher caminhando por uma rua da cidade, vista de costas, com o celular na mão

O mercado imobiliário sempre dominou a arte de vender metros quadrados. A metragem, a disposição da planta e o acabamento sempre foram os protagonistas das apresentações comerciais. Mas fica a provocação: o mercado está dando a mesma atenção aos minutos que as pessoas levam para viver a cidade?

Em um cenário onde o tempo se tornou um dos bens mais escassos e valiosos, a localização de um imóvel ganha uma nova camada de significado. O valor percebido de um endereço não termina nos limites do terreno, ele se expande pelas calçadas do entorno.

Os dados refletem de forma clara essa mudança no comportamento de quem procura um imóvel.

Em uma pesquisa recente do DataZAP, 78% dos entrevistados consideram ideal viver em um bairro onde seja possível realizar as atividades cotidianas a pé, enquanto 54% têm como cenário desejado fazer esses deslocamentos em até 10 minutos de caminhada. Esses números mostram que a conveniência de ter serviços, comércio, transporte e opções de lazer por perto não é apenas um diferencial, mas faz parte da experiência central de morar.

O contraste fica ainda mais evidente quando olhamos para a realidade do transporte nas grandes cidades. Segundo a pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com o Ipsos-Ipec, o brasileiro já gasta mais de 2 horas por dia em deslocamentos.

O estudo apontou que esse tempo médio aumentou em nove minutos de um ano para o outro, refletindo a rotina de moradores em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Goiânia. Quando o deslocamento diário consome tanto tempo e energia, a proximidade ganha um status de luxo funcional.

Um supermercado, uma farmácia ou um parque podem parecer próximos quando olhamos um raio no mapa, mas a experiência real de ir até lá depende da caminhabilidade (walkability). O conceito vai além da distância em linha reta e avalia as condições reais de acesso e a qualidade da jornada a pé, considerando a acessibilidade das calçadas, a segurança e iluminação do percurso, o conforto térmico e a arborização, a diversidade de serviços e a facilidade de conectividade urbana. A caminhabilidade orienta desde a escolha do terreno e a definição do público-alvo até o posicionamento do produto e a construção de argumentos de venda muito mais persuasivos.

Na SQUAD Realty, conectamos inteligência de mercado, projetos, marketing e estratégia comercial para enxergar oportunidades onde outros veem apenas métricas tradicionais. Antes de definir o posicionamento de um empreendimento, respondemos a perguntas fundamentais por meio de estudos aprofundados de mercado e localização: mapeamos o que existe a 5, 10 e 15 minutos a pé; avaliamos quais percursos realmente funcionam em termos de infraestrutura; identificamos para quem essa proximidade tem mais valor; e conectamos os atributos reais do entorno ao conceito do produto para criar argumentos comerciais autênticos.

A metragem quadrada continua sendo um indicador essencial no mercado imobiliário. No entanto, compreender o que o futuro morador consegue acessar e vivenciar a poucos minutos de casa é entender o verdadeiro valor do endereço. E na sua visão: o mercado imobiliário já está considerando o valor do tempo na mesma medida em que considera o valor do espaço?

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